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| Calote em rota de queda no trimestre |
Mesmo com ciclo de aperto monetário, bancos vislumbram melhora da qualidade da carteira
A tradicional equação aperto monetário igual a aumento de inadimplência não entrou no radar dos bancos no atual ciclo de alta de juro, especialmente depois de o Banco Central (BC) ter reduzido o ritmo do ajuste. Com a taxa de desemprego num dos níveis mais favoráveis da história, confiança do consumidor em alta e disposição das instituições para manter as portas do crédito abertas, essa é uma pauta que pode merecer atenção só em 2011. O segundo trimestre confirmou a trajetória decrescente da inadimplência do primeiro e, nos resultados semestrais que o setor começa a apresentar, a percepção é de que será possível observar sensível melhora dos ativos.
Com mais de 60% do portfólio de pessoa física, de cerca de R$ 9 bilhões, composto por cartões, o Citi não sentiu neste ano a piora que sazonalmente ocorre no primeiro trimestre, resultado do acúmulo de despesas como matrículas escolares e impostos com as compras de fim do ano. "Nunca tivemos uma inadimplência tão baixa; no semestre foi 30% inferior à média do ano anterior", conta o vice-presidente de gerenciamento de risco, Victor Loyola. "E como no segundo semestre, normalmente, a economia roda mais aquecida, com mais contratações e injeção de recursos do 13º, não há por que esperar uma deterioração exclusivamente decorrente da alta do juro."
Durante a crise, o banco americano, às voltas com problemas na matriz, tomou atitudes preventivas. Não expandiu as operações de empréstimo pessoal, aprimorou a segmentação de clientes e reforçou as estratégias de cobrança, um legado que trouxe para 2010. "Com baixo risco, os volumes que entraram em 2009 estão com performance melhor." Assim, ele não acha necessário impor nenhum freio às concessões e mantém a projeção de fechar o ano com incremento de 20% na carteira.
Como boa parte das operações no sistema roda com juros prefixados, leva tempo para que os ajustes na Selic se reflitam na qualidade dos ativos, diz o diretor de controladoria do Itaú Unibanco, Rogério Calderon. Como o nível de desemprego da economia diminuiu e houve aumento da atividade de meados do ano passado para cá, ele vislumbra uma safra de crédito melhor. Trimestre a trimestre, o banco observa melhora sensível no seu portfólio. Ao fim de setembro, a inadimplência representava 5,9% da carteira, passando a 5,6% em dezembro e caindo a 4,9% em março. "Não temos realizado perdas importantes."
Além de avaliar os dados do mercado, como o de cheques sem fundos e títulos protestados, o banco tem o próprio termômetro, o chamado "first payment default", que mede, estatisticamente, já o primeiro atraso de prestações. "Quando esse indicador se agrava, os créditos a maturar acabam tendo um nível de inadimplência maior." Com os modelos de risco constantemente recalibrados, o banco pode exigir um nível maior de renda ou mais tempo de estabilidade de emprego, reduzindo a quantidade de operações liberadas. Na crise, a aprovação de propostas caiu de 60% para 20%.
O tradicional ajuste nos preços e o encurtamento de prazos já não são consideradas estratégias eficazes, acrescenta Calderon. Isso porque o crédito mais caro acaba aumentando o risco da carteira. E mexer no prazo significa encarecer adicionalmente as parcelas, com efeito parecido com o da elevação das taxas das operações.
Olhando dentro de casa, o Santander não vê nenhuma armadilha de inadimplência, mas a dúvida está no comportamento dos consumidores junto ao varejo porque não dá para saber se estão se endividando além do limite compatível com a a renda, diz o superintendente de empréstimos à pessoa física, Rogério Estevão. O banco mantém a rotina de ajustar os seus modelos de risco e faz um acompanhamento diário de clientes em atraso, antes que engrossem as estatísticas de inadimplência do BC, que computa prestações não pagas há mais de 90 dias.
"É nessa hora que a gente consegue perceber se o cliente fez opções erradas, se está no cheque especial quando poderia estar usando um parcelamento de dívida ou se, em vez do crédito parcelado, poderia oferecer uma garantia de veículos." Quando o cenário mostra sinais de deterioração, a mudança de rota tradicional vem pela exigência de uma entrada maior e uma postura mais restritiva em relação à renda. Não é, porém, com essa realidade que ele trabalha no atual ciclo de alta do juro. "No fundo, o ajuste vai impor uma aceleração menor, não chega a ser freio, não vai afetar o emprego."
Já o HSBC espera inadimplência ligeiramente maior no segundo semestre, em razão do maior endividamento das famílias, aumento dos juros e maior agressividade da indústria na oferta. Segundo o diretor de crédito e risco, Ildefonso de Camargo Mello Neto, os atrasos das carteiras não devem alcançar níveis críticos, como no fim de 2008 e início de 2009. Em meio a um ciclo de aperto monetário, o banco se previne fazendo seus próprios testes de estresse, simulando o impacto da taxa mais alta nas diversas carteiras.
Valor Econômico - SP
Economistas trabalham com cenário adverso
Mesmo com a redução do ritmo das passadas na alta da Selic, dificilmente o Brasil vai atravessar um ciclo completo de aperto monetário sem esbarrar em alguma piora nas carteiras de crédito, ponderam economistas.
Bráulio Borges, da LCA Consultores, calcula que os atrasos acima de 90 dias da pessoa física, há dois meses em 6,8%, fechem o ano em 7,5%. Ele cita indicadores antecedentes, coletados por federações de comércio e birôs de crédito, como sinalizadores de que há, no horizonte, um ambiente mais adverso. Nada como o pico de maio de 2009, quando a inadimplência da pessoa física chegou a 8,5%, mas ainda assim estaria acima da média observada na década, de 7,1%.
"O Banco Central, quando começou a subir o juro, a partir de abril, deliberadamente, quis aumentar a taxa desemprego e fazer com que o PIB cresça menos, a política econômica contrata mais inadimplência", diz. Com o crédito mais disseminado na economia, a percepção é de que a ação da política monetária é mais eficiente.
Com o mercado de emissões externas mais difícil na Europa e dando contribuição adicional para o encarecimento do "funding" interno, o economista da Lopes Filho, João Salles, espera um repique da inadimplência no último trimestre. "Há relatos de bancos, que trabalham com pequenas e médias empresas, de que a demanda já diminuiu entre junho e julho." Na ponta, o custo já ficou mais caro. O spread médio das operações com taxas flutuantes, destinadas às empresas, subiu de 8,6% do CDI em março para 9,4% em maio. A inadimplência média aumentou de 3,6% em abril para 3,7%, com destaque para capital de giro (de 3,2% para 3,4%) e desconto de duplicata (7,6% para 7,8%).
Já nos portfólios de pessoas físicas, a previsão é de que a inadimplência tenha fechado junho em 6,7%, segundo a Acrefi. "Quando veio a crise de liquidez, os bancos travaram a oferta e ainda não voltaram ao que faziam em 2007 e 2008. A partir disso, passaram a plantar um nível de crédito melhor", diz o presidente da entidade, Adalberto Savioli. Mas, se a economia desacelerar, continua, indiretamente as instituições acabarão expostas a mais risco, mesmo se mais conservadoras na aprovação.
Isso ocorre por um efeito estatístico, explica Fernando Manfio, da WitRisk. Quando os bancos restringem a oferta, a carteira gira menos e o peso da inadimplência é maior. Ele acredita, porém, que como há disposição dos bancos para manter o ritmo de concessões, não deve haver uma deterioração, pelo menos no crédito massificado. Qualquer impacto mais significativo nas carteiras só deve ser percebido em 2011, acrescenta Luiz Miguel Santacreu, da Austin Rating. "A Copa do mundo foi um Natal fora de época, é ano de eleição e a economia cresce baseada na pessoa física, o BC não vai querer estragar a festa abruptamente."
Valor Econômico - SP
Maioria dos consumidores pagará presente do Dia dos Pais a prazo
A maioria dos brasileiros deve pagar o presente do Dia dos Pais a prazo. Segundo pesquisa realizada pela Serasa com 1.010 comerciantes, 51% das vendas serão a prazo, enquanto 49% serão à vista.
Os dados mostram que, em relação a 2009, houve uma inversão na modalidade de pagamento, já que 47% preferiram pagar o presente a prazo, no ano passado, e outros 53% iriam pagar à vista.
Além disso, o levantamento constatou que o dinheiro deve ser predominante nas compras à vista, enquanto o cartão de crédito será a forma de pagamento preferida por aqueles que pretendem parcelar as compras do dia 8 de agosto. De acordo com os analistas da Serasa, a preferência pelo pagamento parcelado deve-se à evolução do crédito, com prazos cada vez mais longos, apesar da elevação dos juros e do aumento do endividamento e da inadimplência do consumidor.
Dinheiro, cheque e cartão Ainda segundo a Serasa, nas compras à vista, o dinheiro será usado por 39% dos consumidores, enquanto o cartão de crédito será usado por 25% e o de débito será opção de 18%. O cheque será a forma de pagamento escolhida por 16%, seguido pelo cartão da própria loja (2%).
Nas vendas a prazo, o cartão de crédito responderá por 43% das transações, o cheque pré-datado, por 33%, o financiamento ou crediário, por 16%, o cartão de débito parcelado, por 4%, e o cartão da própria loja parcelado, por 2%.
Os presentes Ainda de acordo com os lojistas entrevistados, roupas, sapatos e acessórios serão os presentes preferidos (55%) para este Dia dos Pais.
Em seguida, aparecem na lista de preferências dos consumidores celular (23%), eletrônicos (6%), produtos de perfumaria e cosméticos (6%), vinhos e bebidas (2%), almoço ou jantar em restaurante (1%) e joias, relógios e canetas (1%).
Ainda aparecem na lista CDs, livros, DVDs (1%), computador ou impressora (1%), jogos eletrônicos (1%) e outros produtos (3%).
Infomoney - SP
Endividamento cresce com ajuda de cartões
Dos 500 goianos entrevistados pela Federação do Comércio (Fecomércio) em julho, 41% confessaram estar endividados e 21% disseram possuir títulos em atraso, porém ainda não protestados. Do total de devedores (62% dos entrevistados), 59,1% ou 183 chefes de família colocaram os juros do cartão de crédito como maior motivador da inadimplência.
O número de devedores, porém, sofreu pequena redução se comparado ao total obtido no mês passado, quando 69% disseram ter dívidas em aberto e dos quais 47% estavam endividados. Ainda naquele mês, 11% dos inadimplentes confessos se revelaram impossibilitados de pagar as dívidas. Nesse mês o número caiu um ponto e agora 10% garantem não ter como saldar a dívida.
Apesar do número de endividados, a pesquisa ainda averiguou um aumento de 5,5% na Intenção de Consumo das Famílias (ICF). Dos entrevistados neste quesito, 61,1% disseram que o acesso ao crédito ficou mais fácil em 2010 e 66,1% admitiram que pretendem gastar mais nos próximos seis meses na comparação com os seis últimos.
Entre os 205 inadimplentes, 10,2% se consideraram muito endividados, 13,7% mais ou menos endividados e 16,8% contaram estar pouco endividados. O cartão de crédito liderou a lista com mais da metade das dívidas em aberto. Na sequência vieram os carnês (32,2%), financiamentos de automóveis (14,9%), crédito pessoal (11,5%) e cheque especial (6,7%).
Apesar de liderar a lista de inadimplência, o presidente da Fecomércio, José Evaristo, destaca que o cartão pode ser útil se usado com consciência. “O cartão permite prazo de até 30 dias para o pagamento das compras, além da segurança em não se levar grandes quantias em dinheiro evitando, com isso, os assaltos”, orientou Evaristo.
Gerente de Pesquisa e Cálculo do Procon Goiás, Gleidson Tomaz Fernandes ensina que, para evitar problemas com o cartão, é importante pagar sempre o valor total da fatura. Ele ainda explica que o pagamento do mínimo, por três meses consecutivos, acaba por tornar a dívida “impagável”. “Os juros do cartão é o maior entre todas as modalidades de crédito, podendo chegar a 22%, com a composição das diversas multas que podem ser incluídas, em caso da inadimplência”, destacou Fernandes.
A pensionista Ana Maria dos Reis, de 58 anos, já se livrou de três dos cinco cartões de crédito que possuía e pretende cancelar mais um, ainda neste mês. De acordo com ela, o cartão de crédito é “uma verdadeira armadilha ao cliente” que se vê sempre na possibilidade de adquirir novas dívidas. Ela também já passou maus momentos com o pagamento do valor mínimo e o coloca como propaganda enganosa. “Mesmo pagando o mínimo a dívida só tende a crescer”, destacou. A ideia da pensionista é de ficar apenas com um para as emergências. “Apesar de ser um ímã para novas dívidas não posso negar que em algumas situações o cartão acaba por ser útil”, disse.
Hoje Notícia - GO
Até o final do ano, prestações devem comprometer 28% da renda dos brasileiros
O comprometimento da renda dos brasileiros com prestações está em crescimento. Dados da Tendências Consultoria mostram que, em maio deste ano, 26,3% da renda dos brasileiros estava comprometida com o pagamento de prestações. Em abril, 25,9% da renda estava comprometida e em maio do ano passado o percentual estava em 25,8%. A perspectiva da consultoria é de que, em dezembro, esse percentual seja o maior de todo o ano, em torno de 28%.
Os dados têm como base as informações divulgadas pelo Banco Central sobre prazo de pagamento e taxas de juros de algumas linhas para pessoa física. Além disso, a consultoria leva em consideração a evolução da massa de rendimento dos trabalhadores, calculada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e a massa de rendimentos previdenciários.
De acordo com o economista da consultoria, Alexandre Andrade, desde março o comprometimento está subindo e o maior acesso ao crédito e o encarecimento dele no curto prazo, devido aos aumentos da Selic, são os principais motivos. “As condições de crédito sofrem algumas oscilações”, afirma o economista. “O aumento da taxa Selic se traduz em aumento nas taxas finais cobradas pelos bancos e eles repassam aos consumidores esse aumento”, explica.
Mercado de trabalho e renda
Embora a Selic seja um fator que pode aumentar ou recuar a demanda por crédito por parte dos consumidores, pois influencia no custo final dos financiamentos, o comprometimento da renda tem no mercado de trabalho e na renda suas principais influências. Esse comprometimento, segundo Andrade, poderia ser bem maior não fosse o bom cenário econômico pelo qual o País passa. “As condições no mercado de trabalho continuarão favoráveis e a gente deve observar ainda um crescimento de emprego e renda”, acredita o economista.
O cenário favorável e o crédito fácil estão fazendo os consumidores comprar mais a prazo e isso fará com que a curto prazo o endividamento suba. Contudo, esse aumento não deve fazer com que as taxas de inadimplência evoluam a níveis insustentáveis. “A inadimplência não deve fugir do controle e nem se traduzir em fator de preocupação”, diz o economista.
Crédito
Se as condições de renda dos trabalhadores estão melhores, por que não comprar à vista? “O crescimento da renda permite que o consumidor tenha acesso a bens que ele não tinha antes. Mas dependendo do valor do bem, ele só terá acesso se tomar crédito”, lembra Andrade.
O consumo, ainda que menor nos próximos meses, ainda fará do crédito um instrumento para muitos consumidores. E mesmo que ele fique mais caro, ele deve continuar crescendo. “Em 2003 e 2004 o crédito representava muito pouco em relação ao PIB e ele ganhou uma importância muito grande nos últimos anos”, lembra Andrade. “Com isso, é natural que o comprometimento da renda suba na medida em que a importância do crédito aumenta”, reforça.
Com ou sem endividamento, o certo é que o crédito não deve parar de crescer mesmo com a economia em desaquecimento. “As classes mais baixas estão começando a utilizar esse instrumento agora. Ainda tem muito caminho a ser percorrido e há muito espaço para crescer nos próximos anos”, diz Andrade. Para se ter uma idéia, a relação crédito e PIB está em torno de 45% hoje.
BOL - SP |
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| Empresa associada desde 2004 à ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito. |
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